Segunda fase da “Operação Bereré” prende Savi e Taques

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) realizou na manha desta quarta-feira, a segunda fase da “Operação Bereré”, (que significa propina), batizada nesta fase de “Operação Bônus”.

Foram presos em uma ação conjunta o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Cesar Zamar Taques e o deputado estadual, Mauro Luiz Savi (DEM).

O ex-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Paulo Taques, primo do governador Pedro Taques (PSDB), foi preso em 2017 por suspeita de envolvimento com o esquema “barriga de aluguel”, a máquina de grampos ilegais instalada no Estado por um núcleo de policiais militares. A prisão de Taques acabou sendo decretado pelo desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT).

Nesta fase, as ordens partiram do desembargador José Zuquim Nogueira, além deles, outras quatro pessoas também tiveram mandados de prisão decretado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT), 6 mandados de prisão preventiva e 5 de busca e apreensão em Cuiabá, São Paulo (SP) e Brasília (DF). São eles Claudemir Pereira dos Santos, conhecido como “Grilo”, e Roque Anildo Reinheimer, proprietários de uma empresa de fachada, a Santos Treinamento, usada para os desvios no Detran que somam R$ 27 milhões.

Conforme o Ministério Publico, a “Operação Bônus” é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da “Operação Bereré”, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas. Tem como objetivo desmantelar organização criminosa instalada dentro do Detran para desvio de recursos públicos.

Outro também que vem sendo investigado, é o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), deputado estadual José Eduardo Botelho, que teve os mandados cumpridos de busca e apreensões em sua residência na primeira fase da “Operação Bereré”.

Teodoro Moreira Lopes, o “Doia“, ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran/MT), é o colaborador da delação premiada, e dentre as informações prestadas por “Doia”, consta suposto esquema de cobrança de propina com uma empresa que prestava serviços de gravame, um registro do Detran.

Entre os anos de 2009 e 2014, cerca de R$ 27,7 milhões teriam sido desviados pela empresa EIG Mercados (ex-FDL), do empresário José Henrique Gonçalves, a suspeita é de ter ele fraudado contrato com o Departamento Estadual de Trânsito, o empresário teria revelado também que ficava com apenas com 30% dos recursos e os 70% eram desviados para os envolvidos na corrupção.

Antônio Barbosa, irmão do ex-governador Silval da Cunha Barbosa foi quem teria feito a denuncia sobre o esquema dentro do Detran na primeira fase da “Operação Bereré”, sua delação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Brasília, outro a ser preso na manhã desta quarta-feira, na “Operação Bônus” foi o empresário Valter Jose Kobori, e segundo as informações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ele teria recebido mais de R$ 6 milhões da empresa EIG Mercados, antiga FDL Serviços nos anos de 2011 e 2016.

A ação do Grupo Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que apura desvio de recursos do Estado por meio de esquema criminoso no Departamento Estadual de Trânsito, também foram citados na primeira fase da “Operação Bereré”, em fevereiro deste ano, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Eduardo Botelho (DEM), Ondanir Bortolini, o “Nininho” (PSD), Jose Joaquim de Souza Filho, o “Baiano Filho” (PSDB), Romoaldo Aloísio Boraczynski Júnior, o “Romoaldo Júnior” (MDB), Wilson Pereira dos Santos (PSDB) e José Domingos Fraga (PSD) e o ex-deputado Pedro Henry Neto.

Eduardo Botelho

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), deputado estadual José Eduardo Botelho (DEM), que também foi citado na “Operação Berere”, disse que o Legislativo aguarda mais informações e ser também notificado sobre a prisão do deputado estadual Mauro Savi. “Não temos informações de nada. O que aconteceu, todos os passos a Procuradoria da Assembleia Legislativa, que vai analisar“.

Questionado se a “Operação Bônus“, se vai atingi-lo, Botelho disse: “Não fiz nenhuma ação. Não tenho nada escondido“, finalizou.

Após a prisão de Savi, os deputados suspenderam a sessão vespertina, com a finalidade de criar uma comissão de ética para pedir a liberdade do parlamentar.