Wilson Pires de Andrade: – JOÃO TAVARES, UM BOLICHEIRO NATO

                   JOÃO TAVARES, UM BOLICHEIRO NATO

Por: Wilson Pires de Andrade

Foi morador desde 1957 da Travessa Aquidaban, 25, conhecida popularmente nos anos 80/90 como Beco do Porrete. Seo João da Silva Tavares, não tinha apelido e sempre levava uma vida pacata. Gostava de dizer que morava no “Beco do Porrete”, (local que ficou eternizado como ponto de encontro dos analistas de políticas, fofoqueiros e desocupados de plantão da Cidade de Várzea Grande) mas nunca participava das chamadas cornetações do pessoal que o frequentava. “Eu não sei falar da vida de ninguém e se falam da minha, nem mesmo fico sabendo”, ironizava.

Tavares, apesar de não ter participado das rodas de fofocas do “Beco do Porrete”, tinha muitos amigos entre os moradores e frequentadores do local. Sempre viveu em Várzea Grande, sua terra natal.

Nasceu em Várzea Grande no dia 16 de abril de 1928, filho de José Cassimiro Tavares e Inês de Campos Tavares.

Iniciou os estudos na Escola Estadual Pedro Gardez, finalizando com o 4º ano do primário. “Aqui era como vila, tinha poucas casas”. Dizia também que o lazer ficava por conta de caminhadas até os Baracat e jogos de bilhar no Bar de Lourenço.

Das famílias da época, recordava do “seo” Júlio, Bugre, Manoel Esperidião e o seo Rufino.
As atividades profissionais começaram com 15 de idade, como pedreiro.

Em 1950, casou-se com Margarida Pereira Tavares (in memorin). Do relacionamento surgiram cinco filhos: Josenice Auxiliadora Tavares, Joselir Maluf Tavares, João José Tavares, Jomar José Tavares e Catarina Tavares, essa última filha de criação.

No comércio, abriu as portas em 1957, com a “Casa Tavares” (secos e molhados), onde permaneceu até o final dos anos 90. Dizia que a atividade comercial era muito difícil na antiga Várzea Grande.

Para seo Tavares, os pequenos comerciantes da época eram uns heróis por conseguirem sobreviver com a política econômica do governo.

O PROCESSO

Sobre o desenvolvimento de Várzea Grande, João Tavares dizia que a lembrança ficava por conta da atuação de Júlio Campos na Prefeitura Municipal. “Foi nessa época que o crescimento surgiu. De lá para cá, a cidade ganhou excelentes administradores e o progresso foi reinante por muito tempo”.

Politicamente, nunca participou da atividade política de forma efetiva. “Eu nunca fui chamado para candidatar a cargo nenhum, mesmo que isso acontecesse, não aceitaria, pois não sei mentir. Não sou homem de duas palavras”, resmungava.

Quanto ao futuro de Várzea Grande, falava: “Aqui sempre tem vencido os melhores candidatos, nosso povo sabe escolher. Eu particularmente, sempre votei com os Campos”. O que falta para o município – no seu ponto de vista – é um item necessário em todas as outras regiões: recursos. “Claro que a cidade Industrial tem uma grande arrecadação própria, mas isso não basta devido o crescimento desordenado”.

Por outro lado, João Tavares não acreditava em mudanças drásticas no País. O Brasil precisa que o povo trabalhe mais e faça menos política. O povo precisa saber escolher melhor seus representantes para não ficar reclamando mais tarde.

Após ficar viúvo, Tavares fechou a sua casa comercial e foi morar na fazenda, onde ficou até os seus últimos dias.

João da Silva Tavares foi um comerciante nato de Várzea Grande ou bolicheiro como se dizia antigamente. Morreu aos 88 anos de idade no dia 05 de maio de 2016.

Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso.