Câmara Federal instala a CPMI das “Fake News”

O termo “Fake News” ganhou força mundialmente em 2016, com a corrida presidencial dos Estados Unidos, época em que conteúdos falsos sobre a candidata Hillary Clinton foram compartilhados de forma intensa pelos eleitores de Donald Trump.

Fake News são notícias falsas publicadas por veículos de comunicação como se fossem informações reais. Esse tipo de texto, em sua maior parte, é feito e divulgado com o objetivo de legitimar um ponto de vista ou prejudicar uma pessoa ou grupo (geralmente figuras públicas).

As Fake News têm um grande poder viral, isto é, espalham-se rapidamente. As informações falsas apelam para o emocional do leitor/espectador, fazendo com que as pessoas consumam o material “noticioso” sem confirmar se é verdade seu conteúdo.

O poder de persuasão das “Fake News” é maior em populações com menor escolaridade e que dependem das redes sociais para obter informações. No entanto, as notícias falsas também podem alcançar pessoas com mais estudo, já que o conteúdo está comumente ligado ao viés político.

As Fakes News sempre estiveram presentes ao longo da história, o que mudou foi a nomenclatura, o meio utilizado para divulgação e o potencial de persuasão que o material falso adquiriu nos últimos anos.

Muito antes de o Jornalismo ser prejudicado pelas Fake News, escritores já propagavam falsas informações sobre seus desafetos por meio de comunicados e obras. Anos mais tarde, a propaganda tornou-se o veículo utilizado para espalhar dados distorcidos para a população, o que ganhou força no Século XX.

Pensando em combater as chamadas Fake News, nesta quarta-feira (04) foi instalada a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar a propagação de notícias falsas, a CPMI das “Fake News e terá como presidente o Senador pelo Partido Social Democrático (PSD) do Estado da Bahia, Ângelo Coronel.

O deputado federal mato-grossense, Dr. Leonardo Ribeiro Albuquerque, foi indicado pelo seu partido, o Solidariedade para integrar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, defendeu um debate apartidário com foco em soluções para o que chamou de problema social.

Por conta da massificação das ferramentas digitais de interação social e comunicação, o país precisa enfrentar imediatamente o avanço das notícias falsas, sem que isso afete o exercício da liberdade de expressão e informação. Muitas das soluções dadas pelo judiciário ainda são paliativas e estão longe de uma unidade. Com esta comissão, temos a oportunidade de colocar o tema das Fake News em evidência. O quadro demanda esforço contínuo para o mapeamento das situações mais críticas e imaginação de futuros alternativos, de soluções“, afirmou Dr. Leonardo.

Segundo o Senador Ângelo Coronel, o colegiado terá um trabalho importante de dar resposta para a sociedade à onda de notícias falsas em redes sociais, que atingem numerosas famílias.

Precisamos dar um basta nisso e descobrir quais são os focos dessa indústria de “Fake News” que abala a democracia brasileira e que, muitas vezes, coloca uma pecha em alguém que não merece ser avacalhado, vamos assim dizer“, disse Ângelo Coronel.

Do ponto de vista social, o deputado Dr. Leonardo Albuquerque avalia que a CPMI deve ir ao encontro do nível de sofisticação e efetividade que a sociedade exige na reparação de danos causados por Fake News.

A CPMI também se justifica pela relevância de discutirmos liberdade de expressão, de imprensa, e a igualdade no campo da internet, principalmente no momento em que são buscadas respostas sociais para o tema “Fake News” em todo o mundo. Assim, considero que, se fizermos um trabalho sério, sem partidarismos, temos um enorme potencial para chegarmos a soluções para um problema social.

Segundo levantamento feito por veículos de comunicação, as páginas de Fake News têm maior participação dos usuários de redes sociais do que as de conteúdo jornalístico real. De 2017 a 2018, os veículos de comunicação tradicionais apresentaram queda de 17% em seu engajamento (interação), enquanto os propagadores de Fake News tiveram um aumento de 61%.

No Brasil, a manipulação de imagens intensificou-se em tempos de eleição. Em 2018, por exemplo, pessoas trocaram os números de candidatos em suas propagandas partidárias, induzindo o eleitor ao erro.

Em 2014, o Brasil presenciou o caso de uma Fake News que teve um fim trágico. Notícia divulgada pelo UOL Notícias relatou que moradores de Guarujá/SP lincharam uma mulher até a morte por causa de um boato divulgado no Facebook. Ela foi acusada de sequestrar crianças para fazer rituais de magia negra, no entanto, a informação era falsa.

O combate às Fake News é algo difícil. Os mecanismos de produção e veiculação das falsas informações são muito eficientes e escondem a identidade dos criminosos.

Para o usuário da internet, o importante é conseguir identificar uma notícia falsa ou sensacionalista e não compartilhar conteúdo duvidoso. Agências de jornalismo especializado são uma ferramenta útil para saber se um conteúdo é Fake News ou não.

CPMI

Composta por 15 senadores e 15 deputados titulares e igual número de suplentes, a comissão terá 180 dias para investigar a criação de perfis falsos para influenciar as eleições do ano passado e os ataques cibernéticos contra a democracia e o debate público. Também será alvo da mesma CPMI a prática de ciberbullying contra autoridades e cidadãos vulneráveis e o aliciamento de crianças para o cometimento de crimes de ódio e suicídio.