Churrasco de final de ano comprometido; Preço da carne dispara e vai pesar no bolso do consumidor

A crise e a retração econômica, tem levado alguns consumidores a mudarem até o habito alimentar. A alta nos preços começou a ser sentida no bolso de muitos mineiros ao chegarem no açougue.

Segundo os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço de alguns cortes de carne subiu mais de 20% nos últimos 12 meses, ante uma inflação de 8,89% no mesmo período.

A pesquisa ainda aponta, que isso não foi somente com os produtos mais nobres como picanha e filé mignon, o preço da carne de segunda, também ficou mais salgado. A exemplo, o quilo da carne em alguns lugares chega a custar quase três vezes mais do que o quilo do frango.

Os dados divulgados ainda apontam produtos como, músculo, pá e acém, com aumento no preço de 21,4%, 22% e 20,8% no mês de junho do ano passado até os dias atuais. Já peças como, Contrafilé e Chã de dentro, também exigem um desembolso maior. Os aumentos foram de 14,5% e 19,8%. Os economistas explicam que como o preço da carne está alto, cresce a procura por produtos de segunda, pressionando os valores para cima. É a regra da oferta e demanda.

A esperada alta no preço das carnes já começou a chegar ao consumidor. Por causa do apetite chinês, que aumentou as importações de carnes do Brasil, a arroba do boi subiu nas últimas semanas, e o repasse já começa a chegar nas gôndolas.

E o movimento de alta deve continuar, pressionando os preços para as festas de fim de ano.

Consumo chinês dispara

Desde o fim de 2018, a China enfrenta queda da produção de suínos devido a uma grave crise sanitária na suinocultura, o que o obrigou a elevar as compras externas e a procura de outras proteínas, como a bovina.

O Brasil, o principal exportador mundial de carne bovina e de frango, foi beneficiado por essa demanda chinesa. E essa demanda veio justamente na entressafra do boi, quando a oferta é menor e quando o consumo interno aumenta devido às festas de fim de ano.

O resultado foi uma disparada do preço do boi, que chegou a R$ 204,05 nesta terça-feira, segundo o indicador Esalq/B3. A alta em 12 meses é de quase 40%.

Segundo a reportagem apurou, os supermercados já esperam repassar novas altas para os clientes nas próximas semanas.

Não é só o boi que fica mais caro. Além da pressão chinesa, no Brasil a carne suína também acompanha, em parte, as variações da carne bovina.

Pelo 16º mês consecutivo, o Brasil exporta um volume mensal de carne suína acima de 100 mil toneladas. Em outubro, com base nos dados de exportação da terceira semana, relatados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), as vendas externas deverão atingir 177 mil toneladas.

Frango é opção

Para quem quiser escapar da alta dos preços mas sem abrir mão do churrasco, o preço do frango recuou 0,94% no último período pesquisado.

Como a produção de aves é mais rápida e a maior parte da produção é para consumo interno, a carne de frango sofre menos com a pressão externa.

Já para os supersticiosos que evitam frango no réveillon porque a ave cisca para trás, os preços dos pescados estão estáveis.