Dia 13 véspera de sexta-feira, novas investigações, novas “Operações”, vem aí: “delação a vista”

O desembargador Marcos Machado do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT) decidirá logo mais a homologação da delação premiada do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), José Geraldo Riva.

O Blog do Valdemir foi buscar algumas informações sobre a “compra” de vaga no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT).

O acordo de colaboração entre o ex-parlamentar estadual de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual (MPE) foi assinado em dezembro de 2019, com assinaturas da procuradora Ana Cristina Bardusco e os promotores de Justiça, Roberto Turim e Mauro Zaque.

Nele documento assinado, o ex-deputado José Riva, afirma que a compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado, para o Conselheiro afastado Sérgio Ricardo de Almeida custou a bagatela de R$ 15 milhões de reais.

Em depoimento que teria vazado no ano passado, José Riva apontou que o acordo para comprar a vaga do ex-conselheiro Alencar Soares Filho para o então deputado Sérgio Ricardo foi definido na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado de 2009.

O ex-presidente José Geraldo Riva disse que o primeiro repasse de Sérgio Ricardo para Alencar Soares no valor de R$ 2,5 milhões foi na presença do ex-secretário da Assembleia Legislativa, Luiz Márcio Bastos Pommot.

No acordo entre Soares e Ricardo, o então Conselheiro devolve os R$ 2,5 milhões via empresário e um dos delatores da Operação Ararath, Júnior Mendonça, e ainda fica com mais de R$ 1,5 milhão para que o Conselheiro honrasse o seu compromisso já formado com esse valor que seria repassado por Sérgio Ricardo.

Diante da situação, surge o nome de Éder Moraes para ser indicado pela Assembleia Legislativa para a vaga que seria deixada por Alencar Soares. Todavia, segundo Riva, Éder não poderia assumir a vaga, já que, mesmo se Sérgio Ricardo desistisse do acordo, outros parlamentares já tinham manifestado interesse em ficar com a vaga.

Transcorridos dois anos, Sérgio Ricardo e José Riva formalizaram nova reunião a fim de concretizar o plano, que já atingia o valor de R$ 11 milhões, sendo que R$ 6 milhões seriam pagos por Sérgio Ricardo e R$ 5 milhões seriam quitados pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso em parceria com José Riva.

Bom… José Riva admite que entrou na negociação da compra da vaga juntamente com Sérgio Ricardo e Alencar Soares, sendo o novo valor fechado em R$ 11 milhões. Riva disse que os R$ 4 milhões anteriores não foram inclusos no novo valor, já que Alencar Soares teria ficado com os recursos e, Sérgio Ricardo teria recebido de volta os R$ 2, 5 milhões.

Nesse novo acordo, Sérgio Ricardo diz que não teria condições de arrumar esse valor sozinho. Então ficou acertado que a Assembleia Legislativa pagaria R$ 5 milhões e Sérgio Ricardo mais R$ 6 milhões.

O ex-presidente em depoimento, garante que presenciou o pagamento de R$ 3 milhões dados por Sérgio Ricardo em uma mochila na residência do então Conselheiro em Cuiabá. Na ocasião, José Riva teria acertado que R$ 5 milhões que o Legislativo iria pagar ao então Conselheiro Alencar Soares, seria em parcelas e a médio prazo, para não levantar suspeitas.

Nós fomos pegando aos poucos, depositando dinheiro nas contas dos filhos do Alencar Soares (Leandro Valões Soares e Leonardo Valões Soares), na conta da agropecuária Matrinxã (…) e sei que isso se arrastou até o final de 2013“, explicou, detalhando que esses recursos vieram de Factorings, agiotas e empresas que superfaturavam licitações na Assembleia Legislativa.

Riva ainda relatou que os outros R$ 3 milhões da parte de Sérgio Ricardo foram pagos pouco tempo depois da primeira parcela.

E sei que os outros R$ 3 milhões pagos não eram recursos próprios do Sérgio. Também foi recurso desviado da Assembleia Legislativa. Ele mesmo me falou que guardou esses recursos daquelas empresas envolvidas na “Operação Imperador“.

Riva confessa que cuidou pessoalmente dos depósitos dos R$ 5 milhões para as contas indicadas por Alencar Soares.

Por isso eu digo que foram R$ 15 milhões. Aqueles R$ 4 milhões mais esses R$ 11 milhões. Os R$ 4 milhões não voltaram e nem foram abatidos na negociação, disse Riva no depoimento.

Nota da redação

O conteúdo dos documentos e depoimentos do ex-deputado, vai motivar novas investigações e medidas judiciais. Há rumores de que no acordo junto ao Ministério Público Estadual, José Riva delatou: magistrados, promotores, procuradores de Justiça, ex-deputados, deputados, ex-governador e empresários.

Os termos da delação já foram realizados, agora só resta passar pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça.

A previsão é que seja o julgamento hoje dia 13 de fevereiro.