“Há bons quadros na sigla capazes de disputar o Alencastro”

Um ano se passou desde que o país foi varrido por uma onda que resultou na eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL), na ascensão de um movimento conservador e no protagonismo de novas figuras políticas, como o governador Mauro Mendes Ferreira do Partido Democrata (DEM).

Todos agora se preparam para um reencontro na disputa que ocorre daqui a um ano, nas Eleições Municipais de 2020, com primeiro turno previsto para 4 de outubro e o segundo turno, em municípios com mais de 200 mil eleitores no dia 25 de outubro.

Os novos personagens que passaram a coabitar a política enfrentaram os primeiros desafios no Poder. Alguns partidos que até então davam as cartas no jogo eleitoral experimentaram tempos de declínio e buscaram curar as feridas, se reorganizar.

A primeira eleição depois da onda de 2018 vai ser marcada por algumas mudanças significativas. A principal delas é o fim das coligações na disputa proporcional, a votação para vereadores. As alianças na chamada Majoritária, para cargos do Executivo, continuam permitidas.

Com a alteração, cada partido precisará apresentar uma lista completa com candidatos a vereador, sem se coligar com outras legendas.

A mudança deve reduzir, ao menos no âmbito de coligação, a força dos chamados “puxadores de voto”, candidatos conhecidos que faziam alta votação e conseguiam eleger com eles outros nomes da coligação com poucos votos. O caso mais clássico é do deputado federal Tiririca em São Paulo, que ao se eleger com mais de 1 milhão de votos em 2010 e em 2014, impulsionou outros candidatos da coligação com poucos votos.

Ao mesmo tempo, a regra vai exigir de cada grupo partidário nomes fortes e uma “relação mais sólida” para conseguir atingir boa votação geral e garantir mais cadeiras pelo quociente eleitoral. Para os partidos pequenos, a alteração deve aumentar a dificuldade de eleger nomes na proporcional em chapa isolada em comparação às coligações feitas em anos anteriores.

Outro desafio será atrair mais mulheres para a eleição proporcional. A lei exige que cada partido tenha pelo menos 30% das candidaturas ocupadas por concorrentes do sexo feminino, e desta vez sem poder contar com candidatas de partidos aliados para cumprir a cota, que antes era atribuída à coligação como um todo. Soma-se a isso uma fiscalização mais firme contra as chamadas candidaturas-laranja, que buscavam apenas cumprir a cota de gênero.

Esquentando os tamborins

Em Cuiabá, os Democratas (DEM), querem estar na “cabeça de chapa” nesta eleição de 2020 para o cargo de Prefeito de Cuiabá. E quem deu garantia de que os Democratas estão firme no objetivo foi o chefe de gabinete do governador Mauro Mendes Ferreira, e presidente municipal da sigla em Cuiabá, Alberto Machado, o “Beto Dois a Um”. E segundo ele, partido que não disputa votos é igual time que não joga: não marca gol.

Beto Dois a Um tem uma convicção, uma preocupação e um posicionamento.

Seu entendimento: por avaliar que o DEM seja um grande partido tanto nacionalmente quanto em Mato Grosso e em Cuiabá, defende uma chapa encabeçada por democrata para a prefeitura.

Sua cautela: mesmo mantendo firme postura em defesa de um candidato democrata, o presidente municipal encontra caminhos para não pisar em ovos, o que poderia criar atritos com os partidos aliados ao governador Democrata Mauro Mendes, que em tese poderão repetir essa união na eleição em Cuiabá, daí, todas as siglas que apoiam o governo são bem aceitas e para recebê-las não há somente uma janela aberta, mas uma porta que é verdadeira avenida política.

Pé atrás: por mais que se esforce para se mostrar aberto ao diálogo, o presidente dos Democratas descarta a possibilidade de dividir palanque com o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB).

Para Beto Dois a Um, partido que tem em seus quadros o governador Mauro Mendes; o Senador Jayme Veríssimo de Campos, presidente da Assembleia Legislativa, José Eduardo Botelho; Lucimar Campos, prefeita de Várzea Grande, o segundo maior município mato-grossense; ex-governador e ex-senador Júlio Campos; deputado estadual Dilmar Dal’Bosco; e mais de uma centena de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em todas as regiões, não pode ficar fora da disputa em Cuiabá, que é a caixa de ressonância política em Mato Grosso.

Com quase a mesma cautela que adota para não quebrar ovos, o líder dos Democratas municipal tenta desconversar sobre nomes para a prefeitura, mas nem isso o impede de citar Eduardo Botelho e Júlio Campos, enquanto “potenciais candidatos“.

Falar em eleição para a prefeitura de Cuiabá sem citar Emanuel Pinheiro é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. Emanuel Pinheiro nunca assume a condição de candidato, mas tudo que diz ou que seu grupo fala está ligado à Eleição em 2020 e ao alardeado sucesso de sua administração.

Segundo alguns dos analistas de política, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), somente não assume a postura de quem pretende disputar novo mandato, por conta do “fantasma do Paletó”, que o ronda o lamentável episódio onde cai um pacote de dinheiro do bolso de seu paletó, fato esse de domínio público.

Questionado sobre a possibilidade de coligação do DEM com o MDB de Emanuel Pinheiro, Beto Dois a Um foi taxativo: não. Com ele (Emanuel Pinheiro) não; jamais com ele.

Beto não crava um nome oficial, mas diz que há bons quadros na sigla capazes de disputar o Alencastro, como o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, o suplente de Senador, Fábio Garcia e Mauro Carvalho, atual secretário-chefe da Casa Civil.

Eduardo Botelho, presidente da Casa de Leis, já adiantou também que, caso ingresse na sigla, o ex-prefeito Roberto França que esta sem partido e pode se filiar a qualquer momento no Partido Democrata, terá seu voto e apoio para uma disputa em 2020 para a Prefeitura de Cuiabá.