Já se passaram 250 dias e Mauro Mendes, não adota a “Velha Política” em Mato Grosso

O conceito Velha Política deveria ser mais rigoroso. Velho é o corporativismo de grupos organizados pela manutenção de privilégios; o recurso de foro especial, a pratica de “laranjas” eleitorais, “rachadinhas” de gabinete, suspeita de proximidade com as milícias.

É enorme impressão nos dois termos. Eles que servem apenas para tergiversação, usados em trincheiras de uma guerra semântica vazia geram confusão e ignorância, aumentam o dissenso ao mesmo tempo em que impedem a efetivação da Grande Política.

E segundo alguns analistas políticos. Não existe essa premissa de velha e nova política. A premissa é falsa. O que existe é política”.

Enquanto na Velha Política o verbo é comandar, na Nova Política o verbo é servir. Para a Velha Política conhecimento é poder, já a nova pensa que conhecimento compartilhado é poder. Enquanto o “velho político” fala, o “Novo” se prepara e cuida de sua formação na área.

A Velha Política alimenta uma cultura de sigilo, as coisas são feitas de maneira escondida. Já a Nova Política, trás a cultura da transparência. Afinal, não há porque ter medo de mostrar o seu trabalho junto à sociedade.

Por fim, o velho ignora a educação política, enquanto o novo impulsiona esse tema para o máximo de pessoas que puder. Então na hora de analisar os candidatos e candidatas, questione-se de que política essa pessoa faz parte, da velha ou da nova?

Nesta eleição passada, Mauro Mendes Ferreira, candidato pelo Partido Democrata (DEM), se apresentou ao eleitor mato-grossense como o “Novo”, e parece ter se adaptado muito bem nos oito meses gestão, no qual enterrou que, durante a campanha eleitoral, definia como sendo a Velha Política.

Mauro ainda, não mudou de ideia sobre algumas das principais promessas que fez o sentido de ser diferente. O empresário não nomeou políticos para o staff e não paga jetons, para engordar os salários de seus principais auxiliares.

Nestes primeiros oito meses de seu governo não mentiu ao eleitor as promessas de campanha, concluímos do Blog do Valdemir, que não foram puro marketing, considerado as chances que tinha a época de ser eleito no primeiro turno.

Na campanha dos cargos comissionados, o corte chegou a 80%; Mauro era contra a “mordomia” de voar em helicópteros e jatinhos. Mauro voou bastante, mas foi de voo comercial, onde tem mantido encontro quase semanalmente com ministros, empresários e com o presidente da Republica, Jair Messias Bolsonaro (PSL).

Com isso nos primeiros oito meses, a máquina do governo, teve uma redução em gastos em meio milhão de reais. E chegando neste patamar, até o final do ano, o Caixa do Executivo, terá feito uma economia, girando em torno de R$ 1.250 bilhões.

Os maiores gastos na administração Mauro Mendes foram nos primeiros oito meses a Previdência. 17% da receita do Estado, se gasta no sistema previdenciário. Em 2018, o governo gastou R$ 3.338 bilhões, já em 2019, o gasto é de R$ 1.880 bilhões.

A segunda foi a área educacional, gasto de 16% da receita. 2018 R$ 2.703 bilhões; 2019 R$ 1.761 bilhões. A terceira segurança, com o gasto de 15% da receita. Em 2018 R$ 2.217 bilhões, 2019 R$ 1.694 bilhões.

O quarto colocado em gastos são os Poderes: Ministério Público Estadual (MPE), Tribunal de Justiça (TJ), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT) e Defensoria Pública com 14,9% da receita do Estado.

E em quinto encontramos a Saúde com os gastos de R$ 1.703 bilhões em 2018, já em 2019 R$ 1 bilhão.

Muitos internautas, com certeza, estejam questionando: sem 13° e a Revisão Geral Anual (RGA) é claro que vai economizar, ou ainda: assim fica fácil de fazer comparação, quero ver final do ano?

Pois bem! É cedo para comemorar a solução de alguns problemas, que durou por alguns anos. Entretanto, nestes oito meses os primeiros passos, diante de tantas adversidades, foram bons.

Foram 250 dias de convívio de incertezas, servidores que entraram em greve, ameaças de outros entrarem, escalonamento dos pagamentos.

Mauro soube lidar bem com a insatisfação da principal categoria, que simbolizava uma pedra no governo.

O Democrata poderia ter optado em atender a reivindicação dos profissionais da Educação. Porém a escolha política foi por manter em dias as obrigações salariais de 2019 e lidar com o que estava aberto.

Poderia ter evitado o desgaste, se tivesse prometido o que não existe no caixa do governo e não foi escolhida a política de alimentar a disputa eleitoral, como os tucanos, que deixaram o Poder em Mato Grosso de forma vexatória, acompanhados pelos desdobramentos de denúncias, como o caso daGrampolandia é uma delas.

Só que Mauro, sabe bem que atacar os ex-governadores de terem devastado o Estado, assaltando os cofres do governo, é, alimentar e disputa eleitoral, um ano depois de passada a disputa nas urnas, não paga a dívida mensal de cerca de R$ 159 milhões da previdência estadual, nem mesmo inclui Mato Grosso no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), no plano que dá direito a uso de parte dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro Oeste (FCO).

Os problemas que o Democrata precisa encarar, como chefe do Executivo, são decisões de gestão mais complicada do que conceder o RGA e acabar com o escalonamento dos salários dos servidores.

O que se espera é que o alivio, trazido por não ter os servidores de Educação no cangote a cobrar o RGA, dê mais liberdade ao governo para tocar na recuperação financeira do Estado. Isso de fato vai ocorrer?

Depende de Mauro, da melhoria da economia mato-grossense e brasileira, além de habilidade do governador. Foram oito meses de gestação da administração Mauro. O primeiro desafio foi superado. Mas trata-se algo bem menor do que as questões que precisam ser enfrentadas.

O que os mato-grossenses esperam do governador é que o Democrata tenha aprendido mesmo que minimamente, a migrar de um implacável e feroz opositor nas esferas estadual e federal, para um gestor que saiba a hora de ser conciliador, negociador e o momento exato de defender o que é de direito e preciso para Mato Grosso.

Que o palanque, fique guardado até 2022, quando o resultado de gestão estadual, poderá ser apresentado ao povo mato-grossense.

Ou a falta de ações importantes, abrirá espaço para um novo gestor público, como foi em 2018.