Mauro Mendes desafina: servidores da Educação e Saúde realizam manifestação na sexta-feira

Discurso do governador Mauro Mendes Ferreira (DEM) colabora para a manutenção da greve dos profissionais da Educação, que consegue adesão dos profissionais da Saúde e faz a população, rever de forma positiva a paralisação dos servidores do Estado de Mato Grosso.

Agindo dentro dos rigores das Leis, a gestão Mauro Mendes já mostrou que não tem condições legais, para atender a reivindicação dos servidores, que é o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA).

De acordo com informações de especialistas, se for realizado o pagamento da RGA, irá condenar a gestão Mauro Mendes, com o Crime de Responsabilidade Fiscal. Como também, seria antiético a gestão prometer um pagamento para os grevistas que não tem condições de cumprir.

“Sem jogo de cintura”, as colocações na forma de se referir a paralisação realizada pelo governador Mauro Mendes está “apagando fogo com gasolina”, quando o governador compara o RGA com doce e os servidores da Educação com criança pedindo doce. Sem falar da questão dos cortes dos pontos do profissionais em greve, como tentativa de coibir o movimento de greve, que para a maioria dos trabalhadores, esta ação é considerada ditatorial.

Para muitos especialistas, várias ações do governo estão corretas, a forma de gerir está no caminho certo, mas a forma de se expressar, fazer política, conversar com o povo, a gestão Mauro Mendes ainda está muito distante do mínimo do ideal.

Greve prematura:

A greve é direito do trabalhador, porém para obter resultado positivo é necessário agir com planejamento, já que neste período não é considerado por várias pessoas, o melhor, porque a gestão do novo governador, ainda está na fase de lua de mel com povo. Sem falar que tanto os organizadores do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso, quanto os integrantes sabem da situação do cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O que caracteriza a uma greve sem grandes resultados.

Ganhando musculatura

O movimento de greve dos Servidores da Educação estava começando a “perder forças”, quando os discursos do governador e as notícias do Palácio Paiaguás, como a previsão da renúncia fiscal de R$ 3,600 bilhões para 2020 surgiram, causando indignação e revolta nos servidores, que estão sendo prejudicados com reajustes e cortes, parcelamento e atraso nos salários. O resultado é a adesão de servidores de outras pastas, como é o caso dos funcionários da Saúde, que já marcaram uma manifestação em conjunto com os servidores da educação na próxima sexta-feira, dia 14.

Desfazendo um nó cego:

O Governo do Estado já disse que não vai conceder o RGA e está amparado por Lei. Até aí, tudo bem, o governador não iria até Brasília para fazer turismo. O grande problema é explicar o cenário de crise, com um Pacotão de Austeridade que deu certo, já que fez economia milionária em vários setores, e com o aumento da arrecadação na casa de 13%, a mais do que o mesmo período do ano passado e que o orçamento estimado.

Renúncia Fiscal:

Uma das frases mais faladas nos últimos dias, os questionamentos não param de surgir, e mais cedo ou mais tarde, o governo vai ter que apresentar para o povo:

Quais são essas empresas?
Quem são os empresários, os sócios?
Quanto é a renúncia para cada uma?
Como esta empresa beneficia Mato Grosso?
Quantos empregos gera?
É viável manter a renúncia fiscal para esta empresa?

Isso já está sendo cobrado pelo povo, logo o governo terá que desvendar este mistério e mostrar de forma detalhada, quem são os beneficiados.

Nota da Redação:

Na década de 80, o Estado de Mato Grosso enfrentou uma mas maiores greves da história, com a adesão de vários setores, quando o então governador Júlio José de Campos, na época (PFL) hoje (DEM) realizou um gesto, mostrando a caneta para os servidores, o que para muitos surtiu como ameaça de exoneração. Fato é que até hoje, quando se fala em greve, em embate diretor com os servidores, o ex-governador Júlio José de Campos é lembrado pelo ato de mostrar a caneta para o servidores, que teve como resultado várias derrotas, tanto em uma outra disputa para Governo do Estado, como dentro do nicho eleitoral em Várzea Grande.

O último embate entre servidores e Governo foi na gestão passada, quando o então governador José Pedro Gonçalves Taques (PSDB) decidiu menosprezar a força do funcionários público, e teve como resultado a maior derrota eleitoral da história da política de Mato Grosso.

Será que Mauro Mendes já está pensando em aposentadoria na política e encerrar a sua vida pública com este mandato, seguindo o mesmo caminho, o mesmo discurso, a mesma suposta crise, que seu antecessor, o tucano José Pedro Taques? – (Lauro Nazario)