Na celebração dos 197 anos da Independência do Brasil, Bolsonaro testa popularidade

Com grito da população de “MITO”, o presidente da Republica Jair Messias Bolsonaro (PSL), quebra o protocolo, ao descer do palanque interrompendo a cerimônia em comemoração à Independência do Brasil e caminhar por um trecho breve da Avenida N1 onde ocorreu o desfile de 7 de setembro em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro quis observar se seu pedido para que a população vestisse Verde e Amarelo havia sido acatado. Confirmou.

Quis saber mais: as recentes polêmicas sobre Amazônia, Polícia Federal, escolha do novo procurador-Geral da República, por exemplo, abalaram sua popularidade, como mostraram pesquisas recentes? O DataFolha desta semana apontou aumento de 5% em sua reprovação. Foi aplaudido, ovacionado. Retornou ao seu lugar para não atrasar o restante da cerimônia.

Ao final do desfile não se conteve. Mas segurou, deixou a tribuna presidencial, entrou no carro fechado em que deveria apenas seguir até o fim do percurso, já no Ministério da Economia, como é praxe. O presidente, contudo, chegou a entrar no veículo, mas recuou. Abriu a porta e, em pé, com o carro em movimento e apoiado pelos seguranças, fez o restante do trajeto dando tchau e sorrindo. E também, claro, ouvindo aplausos e gritos de “mito”.

Protestos

Longe dali, a cerca de 3 km, no estacionamento da Torre de TV, uma manifestação convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) não reuniu muitas pessoas. Bolsonaro teve quase 70% de votos no Distrito Federal.

Com a #Dia7DePretoNasRuas, a entidade convocou as pessoas para irem às ruas de preto, com os rostos pintados de verde e amarelo, como os caras pintada da época do impeachment do ex-presidente Fernando Collor em 1992.

Segurança

As quebras de protocolo preocuparam a segurança. Enquanto Jair Bolsonaro caminhava e acenava para os apoiadores, uma dezena de homens também de terno, que bem poderiam ser confundidos com assessores, corriam em torno dele, dos ministros da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que o acompanharam.

Em alerta também ficaram os snipers, atiradores de elite posicionados estrategicamente pela Esplanada, especialmente naqueles pontos mais perto da tribuna em que estava o presidente, como da Infraestrutura, em cima dos ministérios. De acordo com a assessoria do Planalto, a presença desse tipo de profissional, é comum no evento, mas o gesto do presidente, não.

Todas essas quebras de protocolo, o mandatário reconheceu, representam um “risco”.

Os seguranças ficam um pouco preocupados aqui, mas é um pequeno risco que a gente corre. E a gente acredita que isso aí, esse pequeno risco ajuda a despertar o sentimento patriótico do povo brasileiro”, disse ao retornar para o Palácio da Alvorada após a cerimônia.

Antes de deixar o Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que a independência nada vale sem liberdade:

A independência de nada vale se não tivermos liberdade. Esta, por tantas e tantas vezes, ameaçada por brasileiros que não têm outro propósito a não ser o poder pelo poder. Então, a todos os brasileiros, e nós pedimos, conscientizem-se cada vez mais do que é este país, esta maravilha chamada Brasil, um país ímpar no mundo, que tem tudo para dar certo. E precisamos, sim, de cada um de vocês, para reconstruí-lo. E a liberdade estará em primeiro lugar”.

Ainda neste sábado, o presidente embarcou para São Paulo para se internar no hospital Vila Nova Star, onde será operado no domingo (8) para a retirada de uma hérnia incisional, decorrência da facada da qual foi vítima há exato um ano e um dia.