Para repovoar os Rios, manejo de jacaré será debatido na Assembleia Legislativa

Levar à tona para todos os mato-grossenses discutirem e acharem uma forma para que os peixes possam não diminuir, mas aumentar. Que os rios continuem dando o sustento para tantas famílias que moram no interior do estado”, disse o deputado estadual Paulo Araújo (PP) que está realizando uma audiência pública para debater o manejo sustentável do jacaré em Mato Grosso.

O jacaré é um dos animais da região com maior potencial econômico, por ser completamente aproveitado para comercialização. O couro é vendido para o mercado de bolsas e sapatos por cerca de R$ 30 a R$ 50 reais por centímetro, a carne é destinada à alimentação e as vísceras são utilizadas para fazer ração.

Há muitos anos que especialistas alertam sobre a superpopulação de Jacaré que comem em média 3km de peixes dia, e podem acabar com várias espécies do Pantanal”.

A criação de jacarés já proporcionou milhões de peles de jacarés para o mercado, mas atualmente não tem uma participação ativa no PIB do Brasil.

As peles são realmente o produto mais procurado na criação de jacarés, que tem propriedades características principalmente para a indústria decorativa.

O mercado é avaliado por US$ 200 milhões de dólares, valor que inclui a exportação de peles, pois vários países têm interesse na compra do material.

Nos últimos meses, um Projeto do Governo do Estado, denominado de Cota Zero que visa proibir o transporte e comercialização de peixe com origem dos rios de Mato Grosso, movimento a sociedade em geral, que de imediato se posicionou contra o Projeto, da forma que está.

O Cota Zero já foi debatido em vários municípios, em Câmaras Municipais, como também na Assembleia Legislativa, quando a unanimidade tomou conta dos participantes, que vê o projeto como está, como uma forma de prejudicar toda cadeia que envolve o mercado da pesca.

Em contrapartida, o Governo do Estado apresentou projetos para fomentar o turismo nas regiões que serão mais atingidas, caso o Projeto Cota Zero seja aprovado da forma que está, com orlas futuristas, que de princípio encantaram os olhos de quem assistiu os vídeos publicitários, mas segundo depois, após uma reflexão, viram que o pescador, o vendedor de equipamentos, vendedor de iscas, os donos de tablados, pousadas, barcos e hotéis, serão prejudicados da mesma forma.

Segundo informações de bastidores, desde que o Governo do Estado ficou sabendo dos resultados das audiências públicas, que vem buscando alternativas para emplacar o Cota Zero, e que alterações no formato original, já está sendo considerada pelo chefe do poder executivo estadual.

Para as pessoas que movimentam o mundo da pesca, muitas ações terão que ser tomadas, não é apenas proibindo a pesca por cinco anos que irá preservar ou repovoar os rios do estado.

O projeto “Cota Zero” da forma que está deixa indícios de interesses apenas comercial, que pode beneficiar apenas uma parcela da sociedade”.

Para atender uma das demandas das pessoas envolvidas no mundo da pesca, o deputado Paulo Araújo está realizando na próxima terça-feira, dia 22 de outubro, uma audiência pública, no Auditório Licínio Monteiro da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para discutir sobre o manejo sustentável do jacaré em Mato Grosso, além de alternativas para o aumento de peixes no Pantanal.

Para quem tem o habito de pescar durante o período de estiagem, é comum deparar com grupos de dezenas e centenas de jacarés, que estão dominando os pequenos rios e lagoas do Pantanal”.

O debate contará com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários (Seaf), Ministério Público Estadual (MPE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Embrapa), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cooperativa de Criadores de Jacaré do Pantanal (Coocrijapan), Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema-MT), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), além de pessoas interessadas, como: agricultores, empresários e pesquisadores do ramo.

Segundo Araújo, a audiência servirá para levantar a discussão sobre o manejo sustentável do jacaré e as alternativas para o aumento dos peixes no pantanal.

Entendemos que a proposta de Lei da Cota Zero por parte do governo do Estado tem trazido muita discussão, então a ideia central dessa audiência é encontrarmos a melhor solução para a manutenção do estoque de peixes em nossos rios. Temos que discutir para poder saber qual o melhor caminho a tomar”, disse Paulo Araújo.